Escutar com o coração

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciando curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil…”

Rubem Alves

Não sei se para outros praticantes acontece da mesma forma, mas eu às vezes tenho a impressão de que meu Si Fu se comunica comigo através de silêncios. Creio que isso seja, de longe, algo extraordinário, pois demonstra uma sintonia entre mestre e discípulo. Isso não é obra nem do acaso e nem do oculto. É Kung Fu.

Mesmo trabalhando com sala de aula o dia todo, eu particularmente prefiro ouvir mais do que falar e isso se reflete na minha relação com meu Si Fu. Raramente nos falamos por telefone ou mensageiro. Mas, quando aparece a oportunidade, nossas conversas são profundas e enriquecedoras.

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Si Fu, Mestre Julio Camacho,  contando algumas histórias sobre o Patriarca Moy Yat

Chegam a serem engraçadas determinadas situações. Muitas vezes, faço mentalmente algumas reflexões sobre assuntos diversos e quando encontro Si Fu, ele externa exatamente o que eu estava pensando. Eu cá com meus botões: “puxa vida, Si Fu pensou a mesma coisa!”

Certa vez, meu mestre comentou acerca das três guerras travadas pelo ser humano, segundo a lógica chinesa. Uma delas é a guerra da língua. Saber falar , como e quando são habilidades também a serem desenvolvidas e o Ving Tsun nos auxilia neste sentido. Na atualidade, onde as palavras são interpretadas, muitas das vezes, no pior sentido possível, ter o discernimento para usá-las (ou não usá-las) é crucial.

 

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Início meu processo discipular, em 2018.

Claro que neste processo de Vida-Kung Fu há falhas na comunicação, certamente de minha parte. Por vezes, por não estar atenta à alguma situação, perco a conexão e deixo de compreender algo que é importante. Em outras épocas, isso me consumiria o espírito, pois tenho a tendência de me cobrar de forma negativa. Mas, lidar com as frustrações também faz parte do desenvolvimento humano.

Há uma frase do Si Taai Gung, Patriarca Moy Yat em que diz: “O órgão que a gente deve usar para ouvir é o coração”. Isso traduz bem o sentido de Vida-Kung Fu, que requer comunicação, mas não necessariamente através de palavras, para que se propicie o aprendizado. A experiência trouxe ao meu Si Fu a arte da “escutatória” (como diria Rubem Alves) e com certeza é através do coração.

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Esse registro foi tirado em maio de 2019 e essa conversa irá ressoar para daqui a há alguns anos

Eu sou muito grata ao meu Si Fu por estar sempre disposto a me ouvir, mesmo que eu não diga nada. Só no olhar, ele já diz tudo.

Escute com o coração e sigamos!

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Reciprocidade

Muito antes de ingressar à Família Kung Fu, eu já ouvia as histórias sobre a primeira mulher titulada mestre de Ving Tsun reconhecida pela International Moy Yat Ving Tsun Federation. Mestra Úrsula Lima (Moy Lin Mah) é uma das pessoas que eu mais admiro na vida. Talvez ela nem saiba do tamanho desse meu apreço (até o momento). Pessoalmente, a conheci por intermédio do meu amado Fernando Xavier, quando estive na reunião fundamental do que viria a ser o núcleo Freguesia, sede da Família Moy Fei Lap, do Mestre Felipe Soares. Ali e em outros momentos, só foi confirmando o que eu sempre achei: ela é uma mulher admirável!

Meu Si Fu, Mestre Julio Camacho, sempre comenta a respeito de minha Si Suk (termo em chinês que representa tio/tia mais novo) e do quanto ela está presente nos momentos mais marcantes da sua trajetória no Ving Tsun. Foi na casa de Si Suk Úrsula, também prima de meu Si Fu, que ele começou a dar aulas do nosso Sistema. Como ele mesmo diz: “pequenas ações geram desdobramentos”. Esse momento inicial se desdobrou e hoje os dois são história do Ving Tsun, do Rio de Janeiro para o mundo.

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Meu Si Fu. mestre Julio Camacho e meus Si Suk Úrsula Lima e Ricardo Queiroz em agosto de 1995

Uma das memórias que meu Si Fu também conta, principalmente quando explica sobre a lógica dos nomes-Kung Fu aos discípulos, é da escolha do nome da Si Suk Úrsula – Moy Lin Mah – feita pelo próprio Patriarca Moy Yat,  por ocasião em que ela se tornava discípula de Grão Mestre Leo Imamura.  Lin quer dizer “flor de lótus” e Mah “cavalo”. De fato, Si Suk Úrsula traz consigo tais naturezas, de forma equilibrada, sendo um exemplo da força no feminino.

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Momento afetuoso entre o Patriarca Moy Yat e Si Suk Úrsula Lima

No último sábado, dia 27 de julho, a Família Moy Lin Mah celebrou seus nove anos, através da XXI Cerimônia Tradicional, com a admissão de novos membros à família e acesso a níveis do Sistema, além de um jantar festivo em Copacabana. Eu tive a alegria de estar presente ao evento, junto com meus irmãos-Kung Fu Fernando Xavier, Thiago Pereira e Carmen Maris, além da presença de meu Si Fu e minha Si Mo, Márcia Moura, Si Suk Ricardo Queiroz e  sua esposa, Sra. Flavia Brambilla, e representantes de outras lideranças do Rio de Janeiro. Foi, sem dúvida, um evento leve, alegre e emocionante para todos os presentes. É perceptível o zelo e a integração dos membros da Família Moy Lin Mah para sua Si Fu e para seu esposo, Sr. Ricardo Lopes.

Ao final do jantar comemorativo, Si Suk Úrsula agradeceu a presença de todos, inclusive os representantes do Clã Moy Jo Lei Ou. Falou da sua vontade de retribuir todo suporte que ela teve ao longo de sua jornada, como forma de agradecimento.

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Cerimônia de comemoração dos nove anos da Família Moy Lin Mah

Eu fico muito feliz por ela está presente também nos meus momentos mais importantes dentro do Ving Tsun, como nas cerimônias de minha admissão à Família Moy Jo Lei Ou e ao meu discipulado. A cada encontro nosso, seja em festividades ou até mesmo em situações do cotidiano, Si Suk Úrsula sempre dedica palavras muito carinhosas para mim e sou grata por esse afeto.

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Eu e Si Suk Úrsula Lima. Muita feliz por esse registro tão esperado!

Reciprocidade é a palavra mais adequada para representar a relação entre as famílias Moy Jo Lei Ou e Moy Lin Mah. Desejo que esse sentimento de reciprocidade seja perene e que sigamos juntos!

Tomada de Decisão

A vida é um conjunto complexo de sucessivas decisões. Cada uma dessas decisões, sejam ações ou omissões, trazem consequências e responsabilidades. O que aflige boa parte das pessoas, inclusive a mim, é de que forma decidir, como saber qual é o “certo” a se fazer.

Eu sempre ouço do meu Si Fu, mestre Julio Camacho, a ideia de situações adequadas, ao invés de “certo” e “errado”. Dependendo das circunstâncias, o que é considerado “correto” pela generalidade não é o adequado para aquela ocasião.

Eu e meu Si Fu, durante Seminário de Alinhamento Prático realizado neste ano

Nós, praticantes de Ving Tsun, estamos diante de inúmeras decisões durante a prática marcial e cada movimento impensado gera uma conseqüência. Claro que no Mo Gun (espaço de luta), o combate é simbólico; contudo, na realidade, um deslize separa a vida da morte.

Essas reflexões sobre tomada de decisões estão sempre presentes para mim, sobretudo no momento atual de prática. Enquanto faço o Chi Sau (“mãos aderidas”), estou diante de infinitas possibilidades para acessar o espaço do outro, o que requer observação, humanidade e uma resolução. Antecipar ou retardar um movimento, por mais insignificante que se pense, pode ser “fatal”.

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Si Fu demonstrando alguns aspectos do Chi Sau

Isso me faz lembrar de uma conversa que tive com meu Si Fu. Ele me contou sobre a origem da palavra fácil, que vem do latim e significa fazer. Então, disse ele, por conclusão, a ideia de difícil é algo que não dá para ser feito. Você só sabe se algo é fácil ou difícil se você realmente faz. Um julgamento a priori não te dá condições de análise.

Para mim, tomar decisões é ainda um processo difícil, mas se eu sei disso é porque eu faço decisões. A partir das minha falhas, eu aprimoro minha prática e, por sequência, meu Kung Fu.

 

Continue em frente

Acredito que eu esteja num processo de desalinhamento interno já há algum tempo. E isso vem se refletindo em diversos segmentos da minha vida. Comumente, as pessoas chamam isso de “perder o centro”. Um praticante de Ving Tsun chamaria isso de “perder a linha central”. Mas, o que fazer diante do desequilíbrio? Gostaria de dar ao leitor (e a mim mesma) uma resposta pronta, o que facilitaria muito para ambos. O desenvolvimento humano requer, também, encarar as adversidades. Sejam as mais dolorosas possíveis.

Quando meu Si Fu, mestre Julio Camacho, nos incentivou a realizarmos os Registros Orientados de Vida-Kung Fu, ele nos falou da dimensão que esse ato pode nos proporcionar ao nosso desenvolvimento, pois é uma forma de revisitar as vivências marciais e, com elas, extrair uma aprendizagem para a vida.

Eu fiz uma breve parada nas postagens desse blog e, durante esse intervalo, isso me deixou bastante incomodada. Sempre preferi mais o papel que a oratória. E, quando nem o que te agrada lhe é suficiente, “algo de errado não está certo”.
Hoje eu tive um momento de crise emocional, um episódio bastante ruim no meu trabalho e, por isso, senti a necessidade de voltar a escrever. A escrita nos ajuda a organizar as ideias, o pensamento, a vida. (Eu falo tanto disso para meus alunos e acabo por vezes não seguindo o conselho).

Mas, afinal, qual é o propósito dessas palavras de hoje aqui?
Estou praticando Kung Fu.

Através das palavras, das memórias e lições que meu mestre, direta ou indiretamente me ensinou, vou me reconectando. Tenho plena consciência de que não é tarefa fácil sair da crise; no entanto se tem algo que aprendi com meu mestre é que, até nos momentos de crise, existe uma forma de se tirar proveito dessa situação.

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Registro da minha visita hoje ao núcleo Barra. Sempre que converso com meu Si Fu é uma grande experiência.

Continuando em frente, sigamos.

Pra Dizer que Falei de Flores

O caractere 梅 na língua chinesa (moy numa das possibilidades de romanização) representa ameixa. A flor de ameixeira possui um simbolismo bastante forte na cultura chinesa e, especialmente, na cultura do Sistema Ving Tsun. Durante o Seminário de Alinhamento Teórico, realizado neste ano, meu Si Fu, mestre Julio Camacho, versou com propriedade sobre o assunto.

Meu Si Fu, Mestre Julio Camacho, no Seminário de Alinhamento Teórico, em 4 de maio de 2019.

Em primeiro lugar, as cinco pétalas da flor de ameixeira representam os grupos étnicos que formam a China: Han, Manchus, Mongóis, Tibetanos e Muçulmanos. A isso, atrela-se a simbologia do número 5, tido como “o número do homem”.

Em segundo, a própria flor de ameixa é associada ao surgimento da Primavera, período mais importante do ano para os chineses. Certa vez, meu Si Fu comentou que na China a ideia de passagem das estações acontece de acordo com a observação da natureza. Portanto, quando a primeira flor brota nos galhos, é sinal de que a Primavera chegou. E isso não necessariamente ocorre ao mesmo tempo em todo o país. A Primavera chega quando você a observa.

A representação da flor de ameixa relacionado com o Ving Tsun se estende ao nome da fundadora do nosso Sistema marcial, Yim Ving Tsun, que significa “cantar a primavera”.

Outra nota cultural sobre a flor de ameixeira está na simbologia do Sistema Ving Tsun e na própria denominação da nossa Família. Meu Si Taai Gung, Patriarca Moy Yat, tem o ideograma ameixa no nome (). E, todos nós, que somos da linhagem do Patriarca Moy Yat, carregamos essa identidade nos nomes Kung Fu.

Placa com a logo da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, que fica na sede do Clã Moy Jo Lei Ou, na Barra da Tijuca.

Meu Si Fu relembrou, na ocasião do Seminário de Alinhamento Teórico, uma passagem em que o Si Taai Gung diz que “a flor de ameixeira é o equivalente natural ao Sistema Ving Tsun, porque o galho é angular, duro e a flor nasce direto do tronco”. De fato, diante das adversidades do dia a dia, o Ving Tsun surge como uma ferramenta para desenvolver as potencialidades humanas, dentro da sutileza e da resiliência.

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Patriarca Moy Yat

Recentemente, li que as flores de ameixa, por nascerem de forma escassa e em condições adversas (logo após um rigoroso inverno), são admiradas individualmente. Faço um contraponto simbólico com cada praticante de Ving Tsun. Cada um com sua natureza, desenvolvendo o seu Kung Fu, sob o olhar atento e único do Mestre. Há um provérbio chinês que diz: “Todas as flores do futuro estão contidas na semente de hoje”. Das flores do Ving Tsun, somos essas sementes.

Sigamos!

Atravessar a ponte

Quando eu comecei a praticar Ving Tsun, uma nova perspectiva me foi apresentada em relação a forma de transmissão de Sistema Marcial. Uma das frases que meu Si Fu diz sempre é: “Ving Tsun não se ensina, se aprende.”

Para quem vem de uma lógica escolar tradicional, das lições decoradas, isso é um verdadeiro “bug” mental. A propósito, Si Fu explicou certa vez a origem da palavra ensinar, que vem de “colocar signo, por uma marca”. De fato, o que se vê em outros lugares, inclusive na escola ainda, é essa ideia de vir com algo pronto e mostrar isso aos alunos.
Mas não no Ving Tsun.

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Seminário de Alinhamento Teórico, em janeiro de 2018.

Desde novembro do ano passado, estou no segundo domínio do Sistema chamado Cham Kiu, que significa “atravessar a ponte”. É o mais longo dos domínios do Sistema e, para mim, até o momento, o mais complexo.

Eu me lembro que, à época do acesso a este nível, Si Hing Claudio Teixeira havia dito a mim que o Cham Kiu foi o período mais desafiador para ele. Realmente, quando já me sentia confiante por ter aprendido o Siu Nin Tau, veio o Cham Kiu para me mostrar que a coisa não é bem assim (risos).

Cerimônia de Acesso ao Cham Kiu, em 17 de novembro de 2018.

A relação familiar dentro do Ving Tsun é formada pela relação direta entre mestre e aluno (Si Fu e To Dai). Mas, em paralelo, existem outras relações que colaboram para movimentar essa relação familiar. É na troca de experiências com os meus irmãos Kung Fu, no cotidiano das práticas, que venho atravessando essa ponte. Claro que as minhas inseguranças estão presentes e são muitas (muitas mesmo). Contudo, a cada movimento do Cham Kiu, a cada sequência que consigo fazer, é uma conquista dentro dessa jornada.

Meus irmãos Kung Fu: Cláudio Teixeira, Fernando Xavier, Leonardo Reis, André Guerra, Roberto Viana e Clayton Meireles.

Cora Coralina, poetisa que tenho grande afeto, dizia o seguinte: “O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida”. Ela viveu por muitos anos em Goiás, na chamada Casa da Ponte (coincidência?). A ponte tem um significado poderoso de travessia, de caminho. E relendo esse pensamento dela, vejo que meu mestre está e sempre estará presente comigo, compartilhando suas experiências, seus saberes. E no corriqueiro da Vida-Kung Fu, estarei construindo afetos, desenvolvendo o humano e enxergando muito além do horizonte.

Sigamos!

A Foto Si-To

Na convivência, o tempo não importa.
Se for um minuto, uma hora, uma vida.
O que importa é o que ficou deste minuto,
desta hora… desta vida…

Mario Quintana

As fotos guardam uma intencionalidade: de preservar pelo tempo um instante da nossa história. Sempre quando fazemos um registro fotográfico e olhamos para aquela imagem no futuro, é uma espécie de imersão àquele período, vindo à tona as sensações, os fatos. A fotografia é a nossa memória em imagem. Lembro-me bem que uma vez Si Fu me disse que aquele que registra a foto é parte integrante daquele cenário, haja vista que sem ele, a captura não existiria.

Uma das primeiras tarefas que meu Si Fu passou para mim, recém chegada à Família-Kung Fu, foi trocar a moldura de uma foto. Mas, não era qualquer foto. Era o seu primeiro registro oficial com o mestre dele, meu Si Gung, Grão-Mestre Leo Imamura, em 1994. A esse registro, damos o nome de Foto Si-To.

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Primeira foto oficial do mestre Julio Camacho, meu Si Fu com o seu mestre, Grão-Mestre Leo Imamura, meu Si Gung, em 1994.

Pois bem, eis que fiquei olhando para aquele retrato e fiquei admirada com o caráter simbólico daquele momento, além da marcação da passagem do tempo (ver ambos jovens e com muitas histórias para vivenciar). A Foto Si-To representa em imagem a relação entre Si Fu e To Dai.

Enquanto passava a foto de uma moldura para a outra, fiquei pensando: “quando é que terei então a minha Foto Si-To?”. Era uma vontade íntima e não havia externado isso a ninguém, nem mesmo ao Si Fu. Fiquei no aguardo de uma oportunidade.

E o tempo foi passando, via alguns registros serem feitos pós eventos, nos intervalos de prática, até mesmo no meio de uma obra, durante a reforma do atual núcleo do Clã, na Barra da Tijuca. E nada da minha vez chegar…

Na inauguração do núcleo Barra, em março de 2018, fui incumbida dos registros da cerimônia. Na época, fiquei bastante apreensiva por tamanha responsabilidade, mas a família gostou do resultado. Tanto que fui chamada para fazer o registro de outros eventos do Clã. Dentro da Família-Kung Fu, desenvolvem-se habilidades que, talvez, em outro espaço, não seriam possíveis.

Foi então que numa noite, cuja a data não me recordo, tinha ido ao núcleo Barra para ver alguns assuntos. Eu me lembro que nem roupa de prática tinha levado, mas algo me dizia que era para ir com vermelho (risos). Eu havia feito alguns registros naquela momento, alguns eram com o Si Fu e meus Si Hing. E, para minha surpresa, numa determinada hora, Si Fu me chama para fazer a tão esperada Foto Si-To. Imagine a minha alegria naquele momento!

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Minha primeira Foto Si-To, em 2018.

Depois desse momento ímpar, ainda tive que administrar a ansiedade de receber a tão esperada foto, o que aconteceu quase um mês depois, através do meu Si Hing Iuri Alvarenga. Outros registros vieram depois, mas o primeiro sempre terá um lugar especial nas minhas lembranças.

Essa história eu relembrei tempos depois, no jantar de abertura do processo discipular da minha irmã Carmen Maris. Si Fu havia pedido aos membros da família presentes na ocasião que contassem uma experiência marcante e a expectativa para a primeira Foto Si-To foi realmente algo memorável à mim.

Dia seguinte ao jantar, recebo uma mensagem do Si Fu com esta imagem:

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Fiquei sem palavras, verdadeiramente emocionada. Recordo que demorei um certo tempo para responder em agradecimento àquele presente tão especial. E foi então que Si Fu me diz para encontrar as palavras e compartilhar com o máximo de pessoas possível. De certo modo, Si Fu, naquele instante, havia me dado dois presentes: a foto e sua confiança em mim para eu continuar com meus registros sobre Vida-Kung Fu.

Espero intensamente que nossa relação Si Fu / To Dai seja duradoura e que as fotos estejam lá para registrar nossa caminhada juntos. Sigamos!