Atravessar a ponte

Quando eu comecei a praticar Ving Tsun, uma nova perspectiva me foi apresentada em relação a forma de transmissão de Sistema Marcial. Uma das frases que meu Si Fu diz sempre é: “Ving Tsun não se ensina, se aprende.”

Para quem vem de uma lógica escolar tradicional, das lições decoradas, isso é um verdadeiro “bug” mental. A propósito, Si Fu explicou certa vez a origem da palavra ensinar, que vem de “colocar signo, por uma marca”. De fato, o que se vê em outros lugares, inclusive na escola ainda, é essa ideia de vir com algo pronto e mostrar isso aos alunos.
Mas não no Ving Tsun.

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Seminário de Alinhamento Teórico, em janeiro de 2018.

Desde novembro do ano passado, estou no segundo domínio do Sistema chamado Cham Kiu, que significa “atravessar a ponte”. É o mais longo dos domínios do Sistema e, para mim, até o momento, o mais complexo.

Eu me lembro que, à época do acesso a este nível, Si Hing Claudio Teixeira havia dito a mim que o Cham Kiu foi o período mais desafiador para ele. Realmente, quando já me sentia confiante por ter aprendido o Siu Nin Tau, veio o Cham Kiu para me mostrar que a coisa não é bem assim (risos).

Cerimônia de Acesso ao Cham Kiu, em 17 de novembro de 2018.

A relação familiar dentro do Ving Tsun é formada pela relação direta entre mestre e aluno (Si Fu e To Dai). Mas, em paralelo, existem outras relações que colaboram para movimentar essa relação familiar. É na troca de experiências com os meus irmãos Kung Fu, no cotidiano das práticas, que venho atravessando essa ponte. Claro que as minhas inseguranças estão presentes e são muitas (muitas mesmo). Contudo, a cada movimento do Cham Kiu, a cada sequência que consigo fazer, é uma conquista dentro dessa jornada.

Meus irmãos Kung Fu: Cláudio Teixeira, Fernando Xavier, Leonardo Reis, André Guerra, Roberto Viana e Clayton Meireles.

Cora Coralina, poetisa que tenho grande afeto, dizia o seguinte: “O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida”. Ela viveu por muitos anos em Goiás, na chamada Casa da Ponte (coincidência?). A ponte tem um significado poderoso de travessia, de caminho. E relendo esse pensamento dela, vejo que meu mestre está e sempre estará presente comigo, compartilhando suas experiências, seus saberes. E no corriqueiro da Vida-Kung Fu, estarei construindo afetos, desenvolvendo o humano e enxergando muito além do horizonte.

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